As escolas construídas na década de 1950 no antigo Distrito Federal
Resumo
Os estudos da arquitetura moderna brasileira, embora citem com frequência as edificações escolares construídas no Rio de Janeiro nas décadas de 1930, 1940 e 1950, pouco revelam as razões de sua referência como um projeto modernizador tanto a nível arquitetônico quanto pedagógico. O entrelaçamento entre as diversas memórias abriu um campo de interseções de vários caminhos que formam uma rede de relações e encontros culturais, sociais, políticas que interagem dinamicamente favorecendo o enriquecimento e a formação de expressões das concepções modernas em arquitetura materializadas no Brasil. No Brasil da década de 1950 se desenvolveu com as marcas da queda do Estado Novo e pelos planos desenvolvimentistas e a esperança de que, através deles, o país superaria o atraso econômico e social. No plano federal a política se consolida e se expande com a gestão de Juscelino Kubistchek, cujo como símbolo é à mudança da capital para o interior do país com a construção de Brasília. As escolas do Distrito Federal construídas nessa década do século XX, durante um regime político democrático, que se instalou com o fim do regime autoritário do Estado Novo e com a promulgação da constituição de 1946, muito avançou em relação a forma e a função em comparação as duas décadas anteriores. Valendo-se dos princípios modernistas e, no campo pedagógico, da preocupação do governo em valorizar a função socializadora da escola, os arquitetos desse período desenvolvem projetos visando atender as necessidades de uma sociedade urbana-industrial que crescia pós-guerra. A arquitetura adquire, com isso, o papel fundamental no desenvolvimento institucional do país e inovador para história da arquitetura escolar carioca, através dos edifícios realizados no Distrito Federal entre 1952 e 1957. A arquitetura moderna com essas escolas adquire abrangência até então desconhecida. Novos e importantes rumos foram estabelecidos às edificações escolares, incorporando princípios e diretrizes em sintonia com propostas educacionais já implantadas na década de 30 e também com posturas mais avançadas – ressaltando novas características ao edifício escolar, projetado segundo os princípios da arquitetura moderna. Eram discutidas propostas para uma nova escola. Tomando-se parâmetro os modelos pedagógicos e experiências europeias, e, retomando alguns conceitos já introduzidos nas escolas de 1932: a criança como referencial central de todas as reflexões e a educação entendida de forma mais abrangente, com a incorporação das atividades complementares à educação formal, como às físicas e o bem estar corporal, aspectos fundamentais para a formação do indivíduo. Tais conceitos geram uma correspondência em termos espaciais. O espaço escolar foi enriquecido com a adequação do edifício a escala da criança, iluminados e ventilados adequadamente e integrados a natureza. As edificações escolares são construídas com estrutura em concreto armado independente, tendo muitas vezes o pavimento disposto sobre pilotis, ampliando os espaços no térreo. Nas fachadas são utilizados grandes painéis em azulejos e brisesoleil , e pilares/pilotis aparentes. Assim, reiterando a década de 30 e 40 prosseguiam os arquitetos a reflexão sobre a articulação clara e racional e a relação de continuidade entre exterior e interior agora então alcançada. Esse quadro no processo escolar realizava-se durante a intensificação do processo de industrialização e o deslocamento populacional para o subúrbio, fatores definidores dos anos 50. Foram construídas 104 novas escolas, dentre as quais encontramos exemplares significativos que materializam e articulam a simbiose entre arquitetura e educação. Nas escolas da década de 50, integração da edificação escolar com a cidade é muito mais próxima em exemplos distintos, enfatizando a busca dos arquitetos e dos educadores de incorpora a escola à malha urbana, como um importante equipamento urbano. Nessa realidade, pretendemos discorrer sobre os processos que geraram a materialização dessas edificações, bem como, sua relação com a cidade.
Palavras-chave
Como citar
FERNANDES, Noemia Lucia Barradas. As escolas construídas na década de 1950 no antigo Distrito Federal. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO RIO, 4., 2017, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: Núcleo Docomomo Rio, 2017. p. 127-133. ISBN 978-85-88027-42-8. DOI: 10.5281/zenodo.19288371.
Referências
- BARRADAS-FERNANDES, Noemia L. Arquitetura escolar Carioca: edificações construídas entre 1930 e 1960. (Dissertação de Mestrado) - Rio de Janeiro: UFRJ/
- BONDUKI, Nabil. Afonso Eduardo Reidy. São Paulo: Bau Editora, 2000.
- LIMA, Mayumi Souza. Arquitetura e Educação. São Paulo: Studio Nobel, 1995.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Rio: anais: o moderno no Rio: do risco ao risco [recurso eletrônico] / organização: Andréa de Lacerda Pessôa Borde, Maria Helena Röhe Salomon, Renato da Gama-Rosa Costa. Rio de Janeiro: Núcleo Docomomo Rio, 2018. 279 p. ISBN 978-85-88027-42-8

