Parque do Flamengo: patrimônio moderno, possibilidades contemporâneas através das estruturas paisagísticas
Resumo
O presente trabalho desenvolve um ensaio sobre o processo de preservação do patrimônio moderno e dinâmicas paisagísticas através do Parque do Flamengo. O objetivo da reflexão de construir argumentos para defender uma mudança no processo de tombamento do espaço livre público, a fim de promover sua potencialização e a vitalidade social na contemporaneidade, mantendo as premissas políticas e projetuais do projeto moderno, bem como preservar o traço original de Burle Marx. Este trabalho tem como objetivo então estudar o parque como uma paisagem contemporânea, entendendo quais são os elementos originais do projeto da década de 1960, quais são as variações posteriores ao projeto que geraram a paisagem atual, quais são os problemas paisagísticos gerados pelo abandono e quais seriam as transformações necessárias ao parque para potencializar os ideais projetuais de espaço público sem descaracterizar os padrões do desenho moderno. Por esta razão trabalha-se o conceito de estrutura paisagística, identificando os elementos espaciais em camadas articuladas, comparando o projeto original ao estado atual da paisagem. A hipótese defendida pelo estudo é a de que a manutenção, o aprofundamento quanto às qualidades paisagísticas e a consolidação quando ao ideal projetado destes elementos espaciais seria uma possibilidade mais eficiente para a preservação do patrimônio moderno paisagístico, se comparados a abordagens teóricas similares à analise de estruturas arquitetônicas. O problema da preservação fica claro ao longo do debate público quanto a Marina da Glória, onde os órgãos de patrimônio defendiam a conversão do espaço, mesmo que não atendidas as previsões conceituais do projeto original, frente a uma pressão política e econômica pela transformação de um trecho do parque, que no fim das contas ocorreu também sem considerar as estruturas projetadas e as existentes.
Como citar
MATTOS, Vinicius Ferreira. Parque do Flamengo: patrimônio moderno, possibilidades contemporâneas através das estruturas paisagísticas. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO RIO, 4., 2017, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: Núcleo Docomomo Rio, 2017. p. 257-274. ISBN 978-85-88027-42-8. DOI: 10.5281/zenodo.19288421.
Referências
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- OLIVEIRA, Ana Rosa. “Entrevista com Fernando Tábora” in Tantas vezes Paisagem – Entrevistas. Rio de Janeiro: FAPERJ: 2007
- SANTOS, Carlos Nelson Ferreira dos. “Preservar não é tombar; renovar não é pôr tudo abaixo” in Revista Projeto. São Paulo: Projeto, 1986
- WALL, Alex. “Programming the Urban Surface” in Recovering Landscape. New York: Princeton Architectural Press, 1999
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Rio: anais: o moderno no Rio: do risco ao risco [recurso eletrônico] / organização: Andréa de Lacerda Pessôa Borde, Maria Helena Röhe Salomon, Renato da Gama-Rosa Costa. Rio de Janeiro: Núcleo Docomomo Rio, 2018. 279 p. ISBN 978-85-88027-42-8

