Participação do Brasil na Exposição Internacional de 1937-Paris
Resumo
O artigo aborda a participação brasileira na Exposição internacional de 1937, realizada em Paris. O país marcou presença com duas locações específicas: O Pavilhão do Brasil e o estande Cafés du Brésil. A Exposição intitulada Exposição internacional de artes e técnicas na vida moderna, aconteceu no período turbulento que antecedeu à segunda grande guerra. Neste evento de expressão mundial, as nações dos regimes totalitários da época, utilizaram-se da arquitetura para ostentar seu poder. Os pavilhões nacionais serviram de prenúncio do conflito que se avizinhava. O Brasil precedente ao regime de exceção, Estado Novo, já apresentando o caráter autoritário e centralizador de Vargas, de inspiração nos modelos de Mussolini e Hitler, não investe no potencial expressivo que a arquitetura oferece para demarcar sua presença. Ao contrário, o governo brasileiro pouco se empenhou na consecução de seu pavilhão. Já para o estande Cafés du Brésil, da Companhia franco-brasileira homônima, patrocinado pelo Departamento Nacional do Café e pelos produtores de São Paulo, o tratamento arquitetônico foi primoroso, contando com a contratação de um dos mais prestigiados arquitetos modernos da época, Robert Mallet-Stevens. Para promover o mais importante produto comercial de exportação exigia-se uma arquitetura de qualidade singular.
Palavras-chave
Abstract
This article addresses Brazil’s participation in the Exposition of 1937, held in Paris. Brazil stood out with two locations: “Pavilhão do Brasil” and the stands “Cafés du Brésil”. The International Exposition of Art and Technology in Modern Life took place during the turbulent period that preceded the Second World War. In this internationally relevant event, nations that were under totalitarian regimes used architecture to display their power. The national pavilions served as a prelude of the conflict that was to come. At that point, preceding the dictatorial regime, “Estado Novo”, Brazil was already showing the authoritarian and centralized character of Vargas, inspired by Mussolini and Hitler’s models, and did not invest in the architecture’s expressive potential for standing out. Contrariwise, the Brazilian government poorly engaged in developing its pavilion. Concerning the stands Cafés du Brésil, pertaining to the homonymous French-Brazilian company and sponsored by the National Department of Coffee and the producers of São Paulo, the architectonic handling was exquisite and it counted with of one of the most prestigious modern architects of that time, Robert Mallet-Stevens. To promote the most important product for commercial exportation, it was required to have an architectural project of unique quality.
Keywords
Resumen
El artículo aborda la participación brasileña en la Exposición Internacional de 1937, en París. El país estuvo presente con dos ubicaciones específicas: el Pabellón de Brasil y el stand de Cafés du Brésil. La Exposición internacional de artes y técnicas en la vida moderna tuvo lugar en el período que precedió a la Segunda Guerra Mundial. En este evento de expresión global, las naciones de los regímenes totalitarios de la época utilizaron la arquitectura para mostrar poder. Los pabellones nacionales sirvieron como presagio del conflicto que se avecinaba. El Brasil precedente al régimen de excepción, Estado Novo, que muestra el carácter autoritario y centralizador de Vargas, inspirado en modelos de Mussolini y Hitler, no invierte en el potencial expresivo que ofrece la arquitectura para demarcar su presencia. El gobierno brasileño ha hecho pocos esfuerzos para lograr su pabellón. Para el stand de Cafés du Brésil, de la empresa franco-brasileña del mismo nombre, auspiciado por el Departamento Nacional del Café y por los productores de São Paulo, el tratamiento arquitectónico fue exquisito, con la contratación de uno de los arquitectos modernos más prestigiosos, Robert Mallet-Stevens. Para promover el producto de exportación comercial más importante, se requería una arquitectura de calidad única.
Palabras clave
Como citar
ZAKIA, Silvia Amaral Palazzi. Participação do Brasil na Exposição Internacional de 1937-Paris. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO SÃO PAULO, 7., 2020, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: Núcleo Docomomo São Paulo / PGAUR-USJT, 2020. p. 395-408. ISBN 978-65-00-11912-1. DOI: 10.5281/zenodo.19289743.
Referências
- L’ARCHITECTURE D’AUJOURD’HUI. Boulogne: ano 7, n. 9, set.1937. Le Corbusier. [Correspondência]. Destinatário: Mallet-Stevens, Robert. Paris, 16 jan. 1937. Carta. Autografada. Fondation Le Corbusier. Archives: Correpondance: E2 14 96.
- CAVALCANTI, Lauro. As preocupações do belo. Rio de Janeiro: Editora Taurus, 1995. Catalogue Exposition Internationale des Arts et des Techniques Paris-1937. Paris: Ministère du Commerce et de l’Industrie, Rapport Général Tome 1, 7 e 9, 1938.
- DESMOLINS, Christine. En revenant de L’expo. In: LYONNET, Jean-Pierre (dir). Robert Mallet-Stevens architecte. Paris: Éditions 15, Square de Vergennes, 2005, p.154-173.
- DIAS, Cícero. Eu vi o mundo. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
- LEMOINE, Bertrand. RIVOIRARD, Philippe. Catalogue L’Exposition Paris-1937, Cinquantenaire. Paris: Institut Français d’Architecture/Paris–Musées, 1987.
- KLEIN, Richard. Robert Mallet-Stevens. Paris: Édition du Patrimoine, 2014.
- KLEIN, Richard. Robert Mallet-Stevens et ses photographes. Paris: Éditions du Patrimoine, 2018.
- MONNIER, Gérard. L’architecture moderne en France. Paris: Picard, 1997. REVISTA DO DEPARTAMENTO NACIONAL DO CAFÉ (DNC). Rio de Janeiro: Editora DNC, n.51, p 872, set.1937.
- ZAKIA, Silvia Palazzi. Mallet-Stevens e as lojas Cafés du Brésil. Arquitextos, São Paulo, ano 17, n. 194.00, jul. 2016. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/12.132/6909> Acesso em: 05 set. 2020.
Ficha catalográfica
7º Seminário Docomomo São Paulo: anais: a difusão da Arquitetura Moderna, 1930-1980 [recurso eletrônico] / organização: Fernando Guillermo Vázquez Ramos et al. São Paulo: PGAUR-USJT, 2020. 566 p. Disponível em: www.nucleodocomomosp.com.br. ISBN 978-65-00-11912-1

