Lucio Costa: lugar e recorrência da materialidade colonial
Resumo
Na totalidade da obra de Lucio Costa, a preocupação em estabelecer o lugar é recorrente e incide de várias maneiras, desde a reconstrução da Praça no Museu das Missões até a contraposição ao tecido urbano circundante no Ministério de Educação e Saúde Pública. Este trabalho visa, na arquitetura de Lucio Costa, discutir a relação do uso da materialidade colonial - da pedra, madeira e telha canal - com a concepção do lugar, em especial, no Museu das Missões (1937), Parque Hotel São Clemente (1944) e Rampas da Igreja do Outeiro da Glória (1959). Nessas três obras, Lucio Costa se utiliza dos materiais referidos como elo entre a nova intervenção e o sítio original. Ao mesmo tempo, sob outra ótica, ocorre um contraste entre esses elementos construídos e o lugar que os abriga, pois as texturas das pedras adensadas em um plano ou em um volume constituem uma presença passível de ser distinguida. Outro aspecto importante é a veracidade estrutural utilizada, onde tais elementos foram aproveitados de acordo com características naturais. Ainda pode ser observada a relação volumétrica, funcional e material, utilizada como articulação e distinção entre as partes e o todo. Embora embebido pelo conteúdo que embasa a Arquitetura Moderna, a partir da casa Ernesto Gomes Fontes (1930), Lucio Costa investigou de que modo essa arquitetura poderia aproximar-se e usufruir da arquitetura colonial luso-brasileira sem, contudo, abrir mão de atender as, então novas, necessidades daquele período. Tanto em termos de continuidade visual entre exterior e interior, quanto em termos de materialidade, seu trabalho busca estabelecer uma nova relação entre o concreto armado e suas lógicas construtivas, sem rejeitar os materiais naturais como a pedra, a madeira e o barro, este último utilizado por ele principalmente na telha canal. Neste sentido, Lucio Costa almejava uma relação harmoniosa entre a Nova Arquitetura e a arquitetura então vigente no país, os materiais, a proporção, os aspectos funcionais e programáticos e, principalmente, a construção do lugar, reunidos em uma só solução, que passa a caracterizar uma vertente da Arquitetura Moderna Brasileira, sempre associada à leveza, à plasticidade, à rica solução dos elementos de controle solar e aos espaços abertos com utilização em profusão da flora tropical brasileira.
Palavras-chave
Abstract
In all the work of Lucio Costa's concern to establish the applicant's place and focuses in many ways, since the reconstruction of the square in the Missions Museum opposed to the surrounding urban fabric in the Ministry of Education and Public Health. This work aims in architecture Lucio Costa, discuss the relationship of the use of colonial materiality - stone, wood and tile channel - with the design of the place, especially in the Missions Museum (1937), Park Hotel St. Clement (1944) and Ramps Church Outeiro of Glory (1959). In these three works, Lucio Costa uses materials such as a link between the new and the original site intervention. At the same time, from another viewpoint, there is a contrast between these elements constructed and place the housing because the textures of stones or densified in a plane in a volume constituting a presence can be distinguished. Another important aspect is the structural truthfulness used in these works, where these elements were utilized in accordance with natural features. Can still be observed to volume ratio, functional and material, used as articulation and distinction between the parts and the whole. Although the embedded content that underlies the Modern Architecture from the house Ernesto Gomes Sources (1930), Lucio Costa investigated how this architecture could approach and enjoy the Luso-Brazilian colonial architecture, but without relinquishing meet so new, that period needs. Both in terms of visual continuity between exterior and interior, and in terms of the materiality of the work, his work seeks to establish a new relationship between the concrete and its logical construction, without rejecting the natural materials like stone, wood and clay, this Finally it mainly used by the tile channel. In this sense, Lucio Costa craved a harmonious relationship between New Architecture and architecture then prevailing in the country, materials, proportion, functional and programmatic aspects and mainly the construction of place, gathered in a single solution, which now characterize an aspect of Brazilian Modern Architecture, always associated with lightness, plasticity, the rich solution for solar control elements and open spaces using a profusion of tropical flora Brazilian.
Keywords
Como citar
BRINO, Alex Carvalho; CANEZ, Anna Paula Moura. Lucio Costa: lugar e recorrência da materialidade colonial. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO SUL, 4., 2013, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Núcleo Docomomo RS / PROPAR-UFRGS, 2013. ISBN 978-85-60188-13-0. DOI: 10.5281/zenodo.19291808.
Referências
- ANDRADE, Mario. Arquitetura Colonial – IV. Diário Nacional, São Paulo, 26 de agosto de 1928.
- BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo. Editora Perspectiva, 2002.
- CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era Moderno: guia de arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro. Aeroplano, 2001.
- COMAS, Carlos Eduardo Dias. Arquitetura moderna, estilo campestre. Hotel, Parque São Clemente. Arquitextos,SãoPaulo,11.123,Vitruvius,ago2010 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.1> 23/3513>.
- COSTA, Lucio. Lucio Costa: registro de uma vivência. São Paulo. Empresa das Artes, 1995.
- LEONÍDIO, Otávio. Carradas de Razões: Lucio Costa e arquitetura moderna brasileira (1924-1951). Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2007.
- MINDLIN, Henrique E. Arquitetura Moderna no Brasil. Rio de Janeiro. Aeroplano Editora / IPHAN, 2000.
- NOBRE, Ana Luiza et al. Um modo de ser moderno: Lucio Costa e a crítica contemporânea. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
- NOBRE, Ana Luiza (Org.). Lucio Costa. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2010. (Coleção Encontros).
- PESSÔA, José. (Org.). Lucio Costa: documentos de trabalho. Rio de Janeiro: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 1999. v. 1.
- SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. São Paulo: EDUSP, 1998.
- SILVA, Maria Angélica da. As formas e as palavras na obra de Lucio Costa. 1991. Dissertação (Mestrado em História): Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1991. Mimeo
- XAVIER, Alberto (Org.). Lúcio Costa: sôbre arquitetura. Ed. fac-sim coordenada por Anna Paula Canez. Porto Alegre: Ed. UniRitter, 2007.
- XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. São Paulo. Cosac & Naify, 2003.
- WISNIK, Guilherme. Lúcio Costa. São Paulo. Cosac & Naify Edições, 2001.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Sul: anais: pedra, barro e metal: norma e licença na arquitetura moderna do cone sul americano, 1930-1970 [recurso eletrônico] / organização: Carlos Eduardo Comas, Claudia Costa Cabral, Airton Cattani. Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2013. 1 CD-ROM. Disponível em: www.ufrgs.br/propar/anais-do-4o-seminario-docomomo-sul/. ISBN 978-85-60188-13-4

