Lina Bo Bardi: metal e pedra na Casa de Vidro

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Sul, Porto Alegre, 2013

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19292141

Resumo

Atraída pelo prestígio da arquitetura brasileira na época, Lina Bo Bardi chega ao Brasil com Pietro Maria Bardi em 1946. Na capital paulista, Lina desenvolve a primeira fase de sua vida profissional no Brasill, entre 1947 e 1958. Neste período, São Paulo passa por um momento de desenvolvimento urbano acelerado. São alguns dos seus projetos deste período: edifício do Diário Associados (1947), edifício Taba Guaianases (1951), Museu de São Vicente (1951), e a Casa de Vidro (1951). Este artigo pretende abordar este período inicial da arquiteta no Brasil, e tratar particularmente da materialização da Casa de Vidro, sua primeira obra construída, pontuando, por um lado, importantes questões quanto às relações da sua produção com a arquitetura moderna internacional, e por outro com o contexto cultural italiano. Em um dos pontos mais altos do Jardim Morumbi, a Casa de Vidro é resultado da união de dois blocos de construção independente: um posterior, fincado na terra; e outro que, acoplado ao bloco posterior, está voltada para a testada principal do terreno, e com três lados em vidro, eleva-se do terreno por uma estrutura metálica de tubos Mannesmann. Carlos Eduardo Comas já ressaltou a semelhança deste com a Casa Farnsworth (1945-51) e o Pavilhão de Philip Johnson (1945-49), distinguindo os seus arquétipos de base. Flexibilidade, ênfase nos materiais nobres e leveza predominam no conjunto da obra de Mies. Na Casa Farnsworth, os pilares externos pintados de branco destacam-se na paisagem. Entretanto, na "casa de árvore" de Lina, pilares circulares em metal, na cor azul acinzentado, confundem-se com a vegetação de um "jardim não planejado". Se Mies privilegia a estrutura em metal, certamente não se pode afirmar o mesmo de Lina. Entre as suas obras metropolitanas, apenas a Casa de Vidro foi idealizada em estrutura metálica, e mesmo assim, parcialmente, embora o metal apareça em outros elementos do conjunto de sua obra. Tanto Mies quanto Lina exploram a expressividade dos materiais nas suas obras. Porém, enquanto Mies prefere os materiais nobres, buscando sempre a perfeição e o platonismo, Lina trabalha todo tipo de material, com a intenção de confrontar seus contrastes, intensificando assim os significados. Após conhecer a obra de Gaudí e projetar a Casa Valéria Cirell (1958), Lina executa os muros de arrimo do jardim da Casa de Vidro em pedregulhos e restos de material cerâmico. A partir de então, a dualidade da obra, escondida, se expande e predomina. Em artigo da Domus de 1944, ainda na Itália, Lina afirma que cada material é o meio de expressão do qual possui o artista para unir quem vê a obra ao pensamento deste e ao processo criativo que na obra foi materializado. Não admitindo a alteração do aspecto original de cada material, diz que não é a humildade do meio que marca o valor de arte da obra, mas a maneira como este meio é empregado, aproveitando suas qualidades peculiares. Este pensamento é uma das bases da arte criada pela arquiteta no Brasil, arte que, seguindo às ideias de Giuseppe Pagano, obtém da vida o alimento à fantasia.

Palavras-chave

Abstract

Attracted by the prestige of THE Brazilian architecture at the time, Lina Bo Bardi arrives in Brazil with Pietro Maria Bardi in 1946. In São Paulo, Lina develops the first phase of her professional life in Brasil, between 1947 and 1958. During this period, São Paulo is going through a time of rapid urban development. Some of her projects from this period are: Diary Associates (1947), Guaianases Taba (1951), St. Vincent Museum(1951), and The Glass House (1951). This article aims to address this initial period of the architect in Brazil, and particularly the materialization of the Glass House, her first project, pointing out on one side, important issues about the relationship of its production to the international modern architecture, and on the other establishing a connection with the Italian cultural context. In one of the highest points of Jardim Morumbi, the Glass House is the result of the union of two independent building blocks: one in the ground, and another that, together with the subsequent block, is facing the main field tested, and three-sided glass, rises from the ground by a metal tube Mannesmann. Carlos Eduardo Comas already noted the similarity of this with the Farnsworth House (1945-51) and Philip Johnson Pavilion (1945-49), distinguishing their basic archetypes. Flexibility, emphasis on quality materials and light prevail throughout the work of Mies. In the Farnsworth House, the white painted external pillars stand out in the landscape. However, in the "tree house" Lina, circular metal pillars, blue-gray in color, merge with the vegetation of an "unplanned garden." If Mies metal structure favors, surely we can not say the same for Lina. Among his metropolitan work, only the Glass House was designed in metal structure, and even though, partially, although metal appears in other parts of his work. Both Mies and Lina explore the expressiveness of the materials in his works. But while Mies prefers the noble materials, always striving for perfection and Platonism, Lina works with all kinds of materials, with the intention of confronting their contrasts, thus enhancing their meanings. After experiencing the work of Gaudí and designing Valeria Cirell House (1958), Lina runs the retaining walls of the garden of the Glass House in stone and tile debris. Since then, the hidden duality of the work, expands and dominates. In the article Domus 1944, still in Italy, Lina says that each material is the medium of expression from which the artist has to unite those who see the work and the thought of this creative process at the work in which it was embodied. Not admitting to change the appearance of each original material, she says that it is humbleness that stamps the average value of the work of art, but the way this medium is employed, taking advantage of its unique qualities. This thought is one of the foundations of art created by the architect in Brazil, art, following the ideas of Giuseppe Pagano, gets its fantasy from from life.

Keywords

Como citar

PUPPI, Suely de Oliveira Figueirêdo. Lina Bo Bardi: metal e pedra na Casa de Vidro. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO SUL, 4., 2013, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Núcleo Docomomo RS / PROPAR-UFRGS, 2013. ISBN 978-85-60188-13-0. DOI: 10.5281/zenodo.19292141.

Referências

  • Bardi, Lina Bo. Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz (org). São Paulo: Instituto Lina e PM Bardi, 1996.
  • Campello, Maria de Fátima de M. Barreto. Lina Bo Bardi: as moradas da alma. Dissertação de mestrado, São Carlos, EESC-USP, 1997.
  • Comas, Carlos Eduardo. Lina 3x2, Arquitexto. Porto Alegre: PROPAR/UFRGS, n 14, p. 146-189.
  • Curtis, Willian J. R. Arquitetura moderna desde 1900. Porto Alegre: Bookman, 2008.
  • Pagano, Giuseppe. “Struttura e Architettura”, Domus 681 e 682 (1987). Solà-Morales, Ignasi.Mies van der Rohe y el minimalismo, In: Diferencias. Topografía de la arquitectura contemporánea. Barcelona: GG, s/d.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Sul: anais: pedra, barro e metal: norma e licença na arquitetura moderna do cone sul americano, 1930-1970 [recurso eletrônico] / organização: Carlos Eduardo Comas, Claudia Costa Cabral, Airton Cattani. Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2013. 1 CD-ROM. Disponível em: www.ufrgs.br/propar/anais-do-4o-seminario-docomomo-sul/. ISBN 978-85-60188-13-4