Rio-Brasília: havia um posto de gasolina no meio do caminho

p. 261-264

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Sul, Porto Alegre, 2025

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19292437

Resumo

Pensar no Plano Piloto de Brasília é pensar também nos projetos de infraestruturas que constroem sua forma. A proposta vencedora de Lucio Costa do concurso, em 1957, tinha no uso intenso das técnicas rodoviárias o seu caráter inequívoco. Desde o início, a implantação de um potente sistema rodoviário definia o próprio Plano Piloto, ao mesmo tempo em que se articula com um sistema de vias, estradas e rodovias, integrando a nova capital ao território nacional. Também em março de 1957, é criada Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA, que passaria a realizar ações de estatização e controle federal de redes ferroviárias já implantadas, unificando sua gestão, numa empresa pública de capital aberto. Simultaneamente, o Governo Federal incentiva a indústria automobilística, dinamizando a implantação dos meios de transporte como infraestrutura nacional, substituindo o transporte ferroviário pelo rodoviário. Para este sistema rodoviário funcionar, operar e promover toda sorte de deslocamentos e viagens, além do transporte de cargas brutas ou produtos industriais, ele precisa ser dotado de equipamentos e serviços, incluindo os postos de gasolina. A abordagem da etapa inaugural da construção de Brasília trata da arquitetura do Plano Piloto e dos desafios técnicos e estéticos da arquitetura dos palácios, ministérios, das primeiras superquadras, do Hospital de Base e da Plataforma rodoviária. Mas as construções de caráter provisório, incluindo arquitetura de madeira como Catetinho, hospedarias, agências bancárias e vilas operárias, são preteridas, embora sejam frequentemente publicadas nas revistas. A edição comemorativa da revista Brasília (1961) reapresenta o posto, recobrando sua importância pioneira. A edição especial da revista Arquitetura e Engenharia (1960), traz um texto de apresentação que comenta as plantas e fotografias de todo o conjunto arquitetônico, destacando justamente as qualidades plásticas decorrentes de sua con cepção estrutural. Já a edição comemorativa de Brasília da Acrópole (1960) traz o icônico mapa das distâncias, além de mapas com a ampliação do sistema rodoviário. Na Manchete, uma revista não especializada, as pesquisas não encontraram o posto publicado, mas as obras de infraestrutura sempre foram pauta da estratégia editorial.

Como citar

ROSSETTI, Eduardo Pierrotti. Rio-Brasília: havia um posto de gasolina no meio do caminho. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO SUL, 8., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Núcleo Docomomo RS / Marcavisual, 2025. p. 261-264. ISBN 978-85-61965-82-2. DOI: 10.5281/zenodo.19292437.

Referências

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  • FLUSSER, Vilém. El universo de las imagines técnicas. Elogio de la superficialidad. Buenos Aires: Caja Negra, 2017.
  • ROSSETTI, Eduardo Pierrotti. Arquiteturas de Brasília. Brasília: ITS, 2012.
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  • SANTANA, Luan Alves. “Bina Fonyat: uma análise sobre sua produção arquitetônica aliada aos respectivos contextos” in 9º. Seminario DOCOMOMO NoNE, São Luiz do Maranhão, 2022. <https://docomomobrasil.com/wp-content/uploads/2022/06/BINA-FONYAT.pdf>
  • SCHWARCZ, Lilia M. & STARLING, Heloisa M.. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras: 2015.
  • VENTURI, Robert. BROWN, Denise Scott & IZENOUR, Steven. Aprendendo com Las Vegas. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. Revista Manchete – nº. 407, fevereiro/1960.
  • Revista Manchete – edição histórica – Brasília, edição especial, maio/1960.
  • Revista Arquitetura e Engenharia – edição especial. Belo Horizonte, julho-agosto/1960.
  • Revista Brasília nº. 40 – número especial 21 4 60. Brasília: NOVACAP, 1960.
  • Revista Brasília nº. 50-52 – número comemorativo 21 4 61. Brasília: NOVACAP, 1961.

Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Sul: anais: infraestrutura / superestrutura, cone sul global [recurso eletrônico] / organização: Sergio M. Marques, Carlos Eduardo Comas, Silvia Leão, Daniel Pitta, Monica L. Bohrer. Porto Alegre: Marcavisual, 2025. Disponível em: www.ufrgs.br/propar/. ISBN 978-85-61965-82-2