Estudos para a criação de um ambiente de mobilidade urbana no Vale do Anhangabaú: um ensaio projetual

p. 316-335

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Sul, Porto Alegre, 2025

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19292455

Resumo

O objeto desse artigo é explorar possibilidades para uma arquitetura de infraestrutura de mobilidade, que aproveite a ampla acessibilidade urbana de que dispõe o Vale do Anhangabaú, considerando a rede de mobilidade como um dos elementos principais na estruturação de centros urbanos. É essencial ressaltar a função histórica do Anhangabaú e seu entorno, reconhecidos como a primeira centralidade moderna e parte integrante da rede de mobilidade metropolitana da cidade. Ao falar em mobilidade no Anhangabaú é preciso examinar a estrutura das diversas cotas que fluem para esse importante espaço público. É necessário articular tal estrutura com todas as redes viárias e de convergência de fluxos de pedestres rumo aos transportes públicos que servem a área. Assim, parte-se do pressuposto de que a acessibilidade potencial pode fomentar um “ambiente de mobilidade”, substituindo a atual configuração, marcada apenas por pontos de parada de diferentes modos de transporte. Serão consideradas as intervenções decisivas já assimiladas ao Vale, como a galeria viária e as estações de Metrô, que, embora isoladas nas extremidades, podem ser melhor articuladas espacial e funcionalmente ao tecido urbano da Área Central. A chegada da Linha 19-Celeste do Metrô ao Anhangabaú, com duas novas estações, é vista como fundamental ao exercício proposto, dado o potencial transformador que a chegada de uma linha de metrô oferece, reafirmando ali sua dimensão metropolitana. Assim, o metrô é entendido como propulsor de mudança. Destaca-se a importância de cautela ao intervir em um tecido urbano consolidado. A metodologia adotada entende o Projeto de Arquitetura como forma de produção de conhecimento. A pesquisa utilizou a ação projetual como ferramenta de análise, permitindo identificar desafios enfrentados pelos projetos precedentes. O desenho, empregado como filtro crítico, possibilita uma melhor compreensão dos fluxos, desníveis, acessos e capacidades, sustentando a ideia de projeto como processo.

Como citar

SAUAIA, André Biselli. Estudos para a criação de um ambiente de mobilidade urbana no Vale do Anhangabaú: um ensaio projetual. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO SUL, 8., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Núcleo Docomomo RS / Marcavisual, 2025. p. 316-335. ISBN 978-85-61965-82-2. DOI: 10.5281/zenodo.19292455.

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Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Sul: anais: infraestrutura / superestrutura, cone sul global [recurso eletrônico] / organização: Sergio M. Marques, Carlos Eduardo Comas, Silvia Leão, Daniel Pitta, Monica L. Bohrer. Porto Alegre: Marcavisual, 2025. Disponível em: www.ufrgs.br/propar/. ISBN 978-85-61965-82-2