Sistemas de proteção contra cheias e utopias modernas para um bairro operário: três projetos para a expansão industrial de Porto Alegre

p. 439-443

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Sul, Porto Alegre, 2025

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19292531

Resumo

A destruição causada pelas enchentes de 2024 trazem novos contornos aos debates sobre o modelo de cidade para o futuro da região metropolitana de Porto Alegre, bem como sobre a eficácia de seus sistemas de proteção contra cheias. Em um momento de incertezas se proliferam soluções fáceis e supostamente milagrosas como panaceia para um problema que não é apenas complexo, como também histórico para as regiões banhadas pelo Guaíba e afluentes. Entre as áreas mais impactadas pela destruição causada pelas águas, duas compartilham de um passado ligado à utopia do Urbanismo Moderno à la Carta de Atenas: o antigo 4º Distrito de Porto Alegre, com mais de 30 mil pessoas afetadas, e o Município de Eldorado do Sul, cidade de 41 mil habitantes na Região Metropolitana de Porto Alegre que teve 80% dos domicílios atingidos pela enchente. Essas duas localidades foram palco de projetos de vanguarda moderna no final da década de 1950 e início da década de 1960 ligados a um ideal de expansão urbana e desenvolvimento da indústria local. Com a destruição causada pelas águas e o lento e penoso processo de reconstrução pelo qual esses lugares vêm passando é difícil não indagar como tais projetos, se postos em prática, teriam lidado com o impacto da enchente. Como projetos de grande porte, idealizados por grandes expoentes do Urbanismo local tratavam a questão dos alagamentos e como os sistemas de proteção se integravam ao desenho urbano proposto? No caso da Região da Várzea do Gravataí (atualmente Vila Farrapos e Humaitá) essa questão é ainda mais sensível, uma vez que a enchente de 1941 já havia interrompido outro projeto para a urbanização dessa mesma zona. Assim, o presente artigo pretende analisar e refletir sobre os sistemas de proteção e de mitigação de impacto das cheias do Delta do Jacuí sobre três projetos: “Urbanização da Várzea do Gravataí” (1936), de autoria de Luiz Arthur Ubatuba de Faria; “Plano Piloto do delta do Jacuí” (1958) e “Cidade Industrial de Porto Alegre” (1961), de Edvaldo Pereira Paiva, Carlos Fayet, Roberto Veronese e Moacyr Moojen Marques. Tais projetos representam cada qual o espírito de sua época e compartilham das mesmas preocupações: a expansão urbana e industrial de Porto Alegre e a melhora na qualidade de vida da classe operária, historicamente estabelecida em região alagadiça da cidade.

Como citar

DOMINGUES, Kauã. Sistemas de proteção contra cheias e utopias modernas para um bairro operário: três projetos para a expansão industrial de Porto Alegre. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO SUL, 8., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Núcleo Docomomo RS / Marcavisual, 2025. p. 439-443. ISBN 978-85-61965-82-2. DOI: 10.5281/zenodo.19292531.

Referências

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Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Sul: anais: infraestrutura / superestrutura, cone sul global [recurso eletrônico] / organização: Sergio M. Marques, Carlos Eduardo Comas, Silvia Leão, Daniel Pitta, Monica L. Bohrer. Porto Alegre: Marcavisual, 2025. Disponível em: www.ufrgs.br/propar/. ISBN 978-85-61965-82-2